Highway 358

Um blog de alienígenas.. (João 17:16)


Assim cantava o famoso Renato Russo, lembrado há alguns dias pelos 15 anos de sua morte: ".... quem me dera ao menos uma vez entender como um só Deus ao mesmo tempo é três..." Pois bem. Na Igreja Adventista do Sétimo Dia (IASD) que estou a frequentar cá em Portugal, a IASD da Amadora, o responsável da igreja (um leigo ao qual foi conferida a credencial pastoral) iniciou uma série de sermões sobre a Trindade.

Embora integre as nossas 28 Crenças Fundamentais, a Trindade vem sendo cada vez mais atacada por alguns grupos no seio de nossa igreja. Tendo em vista esses questionamentos, alguns teólogos vêm se mobilizando para defender essa doutrina. Um deles é o erudito José Carlos Ramos, que escreveu o livro A Igreja em perigo, publicado pela Casa Publicadora Brasileira. O tema é mesmo interessante e causa discussão quase desde a origem do cristianismo.

A seguir vou transcrever meus apontamentos sobre os dois sermões que o Dr. Daniel Esteves já pregou sobre o assunto e espero que essa postagem sirva de estímulo para que todos nós nos aprofundemos nesse tema tão importante.

***

O irmão começou por destacar duas teorias: a do unitarismo (ver Dt 6, 4 e Gl 3, 20) e a do trinitarismo (Gn 1, 26 e Jo 1, 1). Propôs-se a introduzir esta última (sábado 16/10/2011).

No sábado passado (22/10/2011), o estimado Daniel iniciou a sua mensagem com três postulados centrais:

1) O cristianismo não é a história do homem à procura de Deus mas é o resultado de Deus se ter revelado ao homem (ver Jo 17, 3);

2) O conhecimento de Deus não é simplesmente o resultado de um esforço cognitivo; os descrentes não compreendem Deus (ver Hb 11, 6);

3) Não podemos nos colocar acima de Deus e achar que ELE pode ser analisado ou quantificado (ver Rm 1, 20).

Após explicar que teve dificuldades em selecionar apenas (!) umas cinquenta passagens bíblicas acerca da Trindade e de Suas três Pessoas, o irmão citou Is 48, 16; 42, 1; Mc 15, 34; Jo 3, 16; 4, 10; 5, 39; 4, 24.

A seguir, indicou passagens acerca de momentos da vida de Cristo nos quais as três Pessoas aparecem juntas: Mt 1, 18 e ss. (a propósito, veja acima a imagem O Batismo de Cristo, de autoria de Verrochio, Leonardo e Botticelli, 1472-1475. Óleo e têmpera sobre mesa, 180 x 151,3 cm, Florença, Itália); Lc 1, 35; Mt 3, 17; Jo 15, 26; I Pe 1, 2; II Cor. 13, 13; Mt 28, 19.

Na última parte de seu sermão, destacou as características de cada uma das Pessoas da Trindade:

- Deus Pai: Ml 2, 10; I Cor. 8, 6.
- Deus Filho: Mq 5, 2; Mt 28, 18 (onipotência) e 20 (onipresença e eternidade); Hb 13, 8 (imutabilidade).
- Deus Espírito Santo: At 15, 28 (trata-se de Deus; não é uma simples força); Gn 6, 3; Lc 12, 12 (ELE ensina); At 5, 3 e 4 (a mentira contra o Espírito Santo é considerada mentira contra Deus).


4 comentários:

Muito interessante os apontamentos do Daniel Esteves. A pergunta que me incomoda no momento é a seguinte:

- Quão relevante é ter uma noção clara da natureza do Espírito Santo?

- Em que aspectos isso fará diferença na minha vida religiosa?

Que fique claro, eu não estou desqualificando o tópico. O que vejo é que sempre começam a discutir o assunto pelo meio, e pulam a motivação. E eu, sozinho, não acho motivação suficiente.


Abraço!

Amigo,

Penso que ambas as perguntas podem ser respondidas com uma citação de Ellen G. White:

"Não é essencial que sejamos capazes de definir exatamente o que seja o Espírito Santo. Cristo nos diz que o Espírito é o Consolador, o ‘Espírito de verdade, que procede do Pai’. João 15:26. Declara-se positivamente, a respeito do Espírito Santo, que, em Sua obra de guiar os homens em toda a verdade ‘não falará de Si mesmo’. João 16:13. A natureza do Espírito Santo é um mistério. Os homens não a podem explicar, porque o Senhor não lho revelou. Com fantasiosos pontos de vista, podem-se reunir passagens da Escritura e dar-lhes um significado humano; mas a aceitação desses pontos de vista não fortalecerá a igreja. Com relação a tais mistérios - demasiado profundos para o entendimento humano - o silêncio é ouro." Atos dos Apóstolos, pp. 51-52.

Logo a seguir a mensageira do Senhor diz que a função do Espírito Santo é a de convencer "o mundo do pecado, e da justiça e do juízo." João 16:8.

Assim como eu, você é jovem mas, mesmo assim, deve se lembrar este assunto era praticamente passado por alto na igreja, há até poucos anos. Mas assim que algumas heresias começaram a se espalhar, os líderes e os teólogos tiveram a necessidade de reforçar os estudos sobre o Espírito Santo. E penso que a principal motivação para estudarmos um pouco mais a fundo o tema - acho que o Dr. Esteves concordaria comigo - é a necessidade de defendermos melhor esta doutrina da onda herética que se espalha mundo afora. Eis uma situação semelhante: nunca preocupei-me em saber "para que serve" a História. Simplesmente sempre amei-a e não me vejo em outra profissão que não a de historiador. Mas após ser confrontado com a pergunta insólita "para que serve a História?", passei a buscar "munição" mais pesada para defendê-la antes que resolvessem bani-la da História. Penso que seja por aí.

Abraço!

Obrigado por partilhar essa citação esclarecedora!

Agora penso que no máximo as funções dos teólogos são: (1) dizer, com base nos dados disponíveis o que se pode afirmar sobre a natureza do Espírito Santo, e principalmente o que não se pode; (2) o velho combate àqueles que fazem desse ponto uma questão de vida ou morte, salvação ou perdição.


Fiquei feliz porque faz um tempo que estou incomodado com o tema. Com meu jeito mais científico de olhar o mundo sempre achei que não há dados pra afirmar muita coisa. Mais uma vez a Ellen White se mostra extremamente equilibrada. =)


Abraços!

Olá, amigo,

Você resumiu muito bem qual é e deve ser a atitude dos teólogos e dos leigos a respeito do assunto. A bela citação de EGW parece nos indicar precisamente isso. Após ler o seu comentário, puxei na memória o livro e daí fiz uma busca no http://www.ellenwhitebooks.com/ para encontrar a citação na íntegra, porque ela realmente vale a pena! Não deixa de ser interessante que, apesar de ela ter recebido muitas orientações divinas, tenha declarado que a natureza do Espírito Santo é um mistério. No céu teremos muito a descobrir.

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"O pensamento é um processo cansativo; é muito mais fácil aceitar a crença passivamente do que considerá-la, questionar rigorosamente seus fundamentos, perguntar quais são as consequências que a elas se seguem." L. Susan Sterbbing, Thinking to Some Purpose.

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