Augusta Duarte Martinho. Nasceu em Sintra, Portugal, a 12 de Fevereiro de 1915. Uma cidadã como muitas outras, viúva e sem filhos, estaria destinada ao mais absoluto ostracismo se não fosse a descoberta do descaso estarrecedor com que foi tratada após seu falecimento.
Essa senhora esteve morta durante oito anos e meio em seu apartamento na Rinchoa, Sintra. Aida Martins, uma vizinha, procurou a polícia em Novembro de 2002, informando que há três meses não via a dona Augusta. Foi-lhe respondido que o desaparecimento só poderia ser participado pelos familiares, de acordo com a lei. No entanto, um primo dessa desafortunada idosa, Armando Gaspar, afirma que se deslocou 13 vezes ao tribunal de Sintra para obter autorização para abrir a porta da casa de Augusta, o que nunca obteve.
O corpo da senhora só foi encontrado nesta semana (veja a foto), depois de o andar ter sido vendido em leilão pelas Finanças. A nova proprietária, que comprou o apartamento há três meses, e entrava pela primeira vez na casa, ficou em estado de choque. A única companhia de Augusta Martinho, um cão, também foi encontrado morto.
Ao ouvir essa história, fui levado a pensar nas palavras de Cristo em Mateus 24, 12: "Devido ao aumento da maldade, o amor de muitos esfriará..." (NVI). Há muitíssimos indícios de que o amor de muitos está a se esfriar nesses dias finais da História da humanidade mas, quiçá, a indiferença com os idosos seja o facto mais oportuno para reflectirmos. Em várias partes, a Bíblia ordena a honra e o respeito pelos que já viveram muitos anos. "Levantem-se na presença dos idosos, honrem os anciãos, tema o seu Deus. Eu sou o Senhor" (Levítico 19, 32). Na Antiguidade Oriental e Clássica, os velhos eram respeitados e ocupavam as principais funções políticas em conselhos e magistraturas. O Islão também possui vários preceitos em favor dos cuidados e honra dos anciãos; ainda hoje nota-se que são raros os asilos para idosos nos países em que a religião do profeta Maomé é maioritária. Assim, as palavras do nosso Mestre só pode ser uma profecia muito precisa sobre os nossos tempos.
Portanto, histórias lamentáveis como as de dona Augusta devem aumentar a nossa fé. E também para fazermos uma análise de consciência: estamos, de facto, honrando os anciãos? Que estejamos preparados para muito em breve nos encontrarmos com Aquele cujos "cabelos eram brancos como a lã" (Apocalipse 1, 14).

2 comentários:
Está a escrever como um português.
Muito triste ler isso.
Um sábado de descanso e reflexão.
Eles escrevem mais proximamente do latim. Estando mais próximo do latim, sinto-me mais próximo dos meus romanos...rs
Não me lembro de ter ouvido algo parecido. Estamos mesmo no fim dos tempos.
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