"A dor é a origem do conhecimento." Simone Weil
Começa 2011. Um ano de mudança positiva. Onde haverá crescimento espiritual, financeiro, estudantil, amoroso, familiar, moral, e tudo que possa dar conforto e felicidade. Esquecer 2010 e viver o novo.
Esse é o mal de todo o mundo. Esquecer tudo aquilo que se passou principalmente aquilo que nos trouxe dor, angustia e sofrimento: é a mesma coisa que dar marcha ré na vida e encará-la como uma aventura.
Aprendi muitas coisas em 2010 devido à dor. Seria uma burrice grande aniquilá-las todas por conta de um 2011 que está mal começando. Bob Marley dizia que “nesse grande futuro, não podemos esquecer o passado”. Um professor de história do Edessa dizia para pegarmos o passado, juntarmos com o presente para fazer um futuro melhor. É essa a ideia de um novo ano. Pegarmos o passado, principalmente aquele que magoou, e transformá-lo em algo que nos possa dar satisfação a longo prazo.
Ganhei muita coisa esse ano, mas perdi um bocado também. Perder aquilo que te satisfaz é como arrancar um doce de uma criança. Sentir que tudo que você lutou não valeu nada é como nadar e morrer na praia. Cair e sentir-se pisoteado pelos que você mais amou, ama, deu valor e lutou é como dar sinal verde ao pelotão de fuzilamento, quando você não teve um julgamento justo, com bases morais, verdades sólidas e principalmente o direito de defesa.
Foi muito difícil entender o porquê de tudo. Toda a noite, penso e repenso na forma de como tudo se foi por conta de nossos atos e escolhas mal planejadas. Acredito que o meio, as dores, as malícias, os segredos, a falta de amor, a família, os amigos, todos estes tiveram pelo menos uma porcentagem de responsabilidade em nosso erro. Não vou entrar em detalhes, mas carregar toda a culpa por uma falha não seria logicamente justo e correto. Você não pode culpar Vanderlei Cordeiro de Lima por ter ganhado a medalha de bronze na maratona dos jogos olímpicos de Atenas por causa de um manifestante que o agarrou (http://esporte.uol.com.br/olimpiadas/ultimas/2004/08/29/ult2247u452.jhtm). Da mesma forma não se pode tacar pedra em alguém que um dia deu valor, lutou, correu atrás do que ama, se machucou, chorou, perdeu sono, que se entregou, por um erro de percurso que, afinal, você não teve total parcela de culpa.
Isso é loucura!
Talvez você pergunte o que tem a ver, a dor e 2011. Tem tudo a ver! Eu não quero esquecer o que aconteceu (2010), pois se esquecer, tornarei a fazê-lo novamente. É lógico que não irei ficar sofrendo, pois à medida que o tempo passa, perde-se a sensibilidade, o amor, o carinho, e dá-se lugar à lógica, à razão, ao amor próprio e à dignidade.
Nesse começo de ano continuarei em frente. Sobrevivendo a cada dia. Lutando contra o meu eu, vícios e vontades sem esquecer aquilo que passou. Cesare Cantú afirma que, "A dor possui um grande poder educativo: faz-nos melhores, mais misericordiosos, mais capazes de nos recolhermos em nós mesmos e persuade-nos de que esta vida não é um divertimento, mas um dever".
Finalizo com uma frase de Arthur Schopenhauer, que complementa Cesare Cantú e nos dá a dimensão de como devemos olhar para nossas vidas daqui para frente: "Por toda a parte o homem encontra oposição, vive continuamente em luta, e morre segurando as suas armas."
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